Artigos

Na estreia da nova sessão “Visão de Negócios, uma entrevista com a consultora empresarial da Associação Empresarial de Imbituba – ACIM (SC), Débora Rodrigues dos Santos. Conheça um pouco sobre o trabalho da Associação e do Porto e as expectativas para 2019.

 

Comunicação KM: Qual é a importância do trabalho desenvolvido pela Associação Empresarial de Imbituba – ACIM – com relação ao fomento de negócios junto ao empresariado do segmento de exportação e importação?

Na entidade temos um núcleo de comércio exterior, no qual presto consultoria, que abrange toda a comunidade portuária de Imbituba que reúne operadores portuários, despachantes aduaneiros, agências marítimas, transportadoras e empresas donas de cargas. É por meio deste grupo que participamos efetivamente das ações que são desenvolvidas pelo porto. Somos os responsáveis pela promoção de eventos na cidade com o objetivo de prospectar novos negócios, novas linhas e a vinda de novas empresas e indústrias que queiram se utilizar da estrutura do município para produzir com o objetivo de exportar e importar seus produtos através do porto.  Além disso, temos representatividade institucional junto aos órgãos intervenientes, Receita Federal e o Governo do Estado, contribuindo para que as operações aconteçam de forma contínua e eficaz.

 

Comunicação KM: Em relação aos principais portos de Santa Catarina e do país qual é a posição em volume de negócios que ocupa o porto de Imbituba atualmente?

É difícil falar em posição, até porque sabemos que os demais portos têm uma estrutura     mais completa e recebem um volume maior de cargas em relação ao porto de Imbituba. Mas é fácil demonstrar que estamos à frente no que diz respeito, por exemplo, à expansão.  Temos o maior calado de Santa Catarina e a probabilidade de aumento, tendo em vista o espaço para um novo berço e bacia de evolução para manobras e atracação. Outro diferencial são nossas cargas cativas, uma vez que atendemos diversas empresas que contribuem para o desenvolvimento do estado, e, por consequência, para o nosso crescimento. Entre elas, estão a Santos Brasil, responsável por movimentar o terminal de contêineres e carga geral atendendo a região sul de Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. A Refisa, que está instalada há 26 anos em Imbituba e movimenta um navio mês. A Fertisanta, pioneira na exportação de grãos no porto e a Votorantim, uma das principais empresas em volume de exportação.  Desta forma, estamos solidificando o futuro do nosso negócio com a participação do estado que é o nosso parceiro no desenvolvimento de estratégias de crescimento. Prova disso, foi o recorde de movimentação em 2018. Ao todo, mais de 5 milhões de toneladas passaram pelos nossos terminais.

 

Comunicação KM: Quais continentes e países são atualmente os principais destinos das exportações realizadas pelo porto de Imbituba?

Para se ter uma ideia, 289 navios passaram pelo porto de Imbituba em 2018. Entre os continentes com maior volume de exportação podemos citar o Asiático, o Europeu e o Norte-Americano.  Já entre os países, cujo o volume de exportação foi maior, temos a China, Estados Unidos, Rússia e Holanda.

 

Comunicação KM: Qual a projeção de crescimento em 2019 em relação a 2018?

O objetivo da ACIM é sempre trabalhar pelo crescimento.  Temos tudo para superar o ano que passou. Para se ter uma ideia, o porto de Imbituba ultrapassou em 2018 a marca de 5,2 milhões de toneladas movimentadas, alcançando um recorde anual de forma histórica em relação ao de 2017. Posso dizer que estamos no caminho para mais um recorde em 2019. Ao longo dos anos, nosso trabalho vem demonstrando uma constante evolução. Para se ter um exemplo, temos novos investimentos na retro área, que vão possibilitar a vinda de novas cargas como as já fidelizadas e as que estão se fidelizando, a exemplo da madeira.  Os trabalhos são para que possamos superar esse recorde. E segundo nossas estimativas temos tudo para tal.

 

Comunicação KM: Quais são os diferencias que o porto de Imbituba oferece em relação aos outros portos catarinenses e ao porto de Paranaguá (PR)?

A condição da infraestrutura que o porto possui tem sido um grande diferencial para a atração de novas cargas e de embarcações diferenciadas. O que o porto vem buscando é a implementação de novos mecanismos para que esteja apto a atender a demanda do mercado. O canal de acesso passou a ter profundidade de 17 metros e bacia de evolução com 15,5 metros. Os berços passaram a operar com 14,5 metros, o que nos torna atrativos. Além disso, temos um fácil acesso rodoviário a BR-101 que nos conecta as demais regiões brasileiras e aos países do Mercosul. O Porto também está a 286 milhas marítimas do Porto de Santos e a 322 milhas marítimas do Porto de Rio Grande. As águas tranquilas, que proporcionam o acesso ao porto, são obtidas por um molhe de abrigo com 850 metros de comprimento, no qual não existem correntes marítimas que afetem quaisquer operações. Outro diferencial é a existência de malha ferroviária e a proximidade dos aeroportos de Florianópolis e Jaguaruna.

 

Comunicação KM: Como a ACIM tomou conhecimento do trabalho desenvolvido pelo escritório Küster Machado em relação a este segmento?

Já acompanhávamos os conteúdos divulgados pelo escritório, até que em 2018 surgiu a oportunidade de participar do Meeting Comex na cidade de Joinville (SC). A participação do coordenador do nosso núcleo Jorge Luiz de Souza foi fundamental neste processo.  A partir de então, passamos a manter uma troca de informações em relação ao porto, que culminou com a participação do escritório Küster Machado no encontro de negócios da comunidade portuária de Imbituba que aconteceu em novembro de 2018.

 

Comunicação KM: Qual foi o conteúdo abordado pelos profissionais do Paraná no Encontro de Negócios da ACIM Comex 2018 e como foi a receptividade ao tema por parte dos empresários e representantes das entidades presentes?

O feedback por parte dos empresários e dos coordenadores do nosso núcleo foi excelente.  Na apresentação, o Dr. Cassius Lobo sanou algumas dúvidas em relação aos tributos de Santa Catarina e benefícios fiscais.

 

Comunicação KM: De que forma o conhecimento mais aprofundado da legislação e dos benefícios fiscais do estado de Santa Catarina com relação ao comércio exterior pode colaborar para o incremento das operações do porto?

Os benefícios são um instrumento de auxílio valioso para que operações de grande porte possam acontecer. Hoje, a indústria pode importar a matéria prima de outro país e, após produzir no estado, pode exportá-la para outros países por meio de navios panamax. Como é um tema complexo, é necessário um conhecimento maior da legislação.  O que é desconhecido tende a assustar muitas empresas. Por este motivo, um conhecimento mais aprofundado da sistemática dos benefícios fiscais é fundamental.

 

Comunicação KM: É sabido que muitas vezes pequenos e médios empresários têm receio em realizar operações de comércio exterior devido à complexidade da burocracia e da legislação tributária brasileira. Na sua opinião, eventos como este podem ajudar a tornar este processo mais claro e acessível para este público?

Apesar de complexo, existem ferramentas e meios para se adequar a essa legislação e atuar no Comex. Acredito que eventos como o Encontro de Negócios em Imbituba devem acontecer de forma constante. Sabemos da estabilidade econômica do nosso estado, o que de certa forma contribui para atrair os empresários para este mercado. É preciso trazer sempre mais informações, atualizar esses empreendedores e mostra a eles o quanto podem crescer desenvolvendo seus negócios e contribuído para o crescimento do estado.

 

Comunicação KM: A partir do sucesso dos eventos realizados em 2017/18, a ACIM já tem um próximo ciclo de palestras agendado?

Já estamos nos preparando para a terceira edição do evento, que será realizada em novembro de 2019.  Esperamos mais uma vez contar com a participação dos colegas da Küster Machado que, tenho a certeza, enriquecerão nosso evento com a sua expertise na área.

Küster Machado