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Definido nos artigos 1.641, 1.687 e 1.688 do Código Civil de 2002, o regime traz como regra geral a incomunicabilidade de todo o acervo patrimonial ativo e passivo adquirido antes e durante a constância do casamento, porém, é revestido de exceções que podem trazer a comunicabilidade de determinados bens.

Este é o único regime de bens que pode ser denominado como bipartido em sua origem, trazendo em seu bojo a classificação de dois subregimes, quais sejam, a separação convencional e a separação obrigatória ou legal de bens.

Na separação convencional de bens, regida pelos artigos 1.687 e 1.688 do Código Civil, a escolha pelo regime é deliberação consensual e de plena vontade das partes.

Neste regime permanecerão sob exclusiva propriedade de cada cônjuge os bens trazidos para a comunhão, bem como aqueles adquiridos durante a constância do casamento, havendo a preservação de dois patrimônios distintos.

Igualmente as dívidas existentes serão de responsabilidade de cada consorte, havendo comunicabilidade somente em relação aquelas auferidas para a manutenção e sustento do lar conjugal.

Este regime não traz qualquer impedimento em relação a aquisição patrimonial conjunta entre os cônjuges, mas nestes casos, a aquisição comum será regida pelas regras gerais de direito civil, uma vez que se estabelecerá um condomínio entre os cônjuges.

Com a adoção deste regime não se vislumbra qualquer repercussão patrimonial para os consortes, pois cada um manterá a condição de proprietário exclusivo do acervo de bens, estando também mantida a responsabilidade individual pelas obrigações, frutos e autonomia em sua administração.

Já na denominada separação obrigatória ou legal de bens, regida pelo artigo 1.641 do Código Civil, uma ou ambas as partes não possuem a possibilidade de utilizar-se da autonomia de vontade para escolha do regime, sendo este eleito por imposição legal, bastando que preencham ao menos um dos requisitos trazidos pelo dispositivo supramencionado.

Aqui, excepcionalmente encontramos uma “limitação da autonomia privada dos nubentes”, objetivando a proteção patrimonial de determinadas pessoas, conforme preceitua o já nominado artigo 1.641 do Código Civil.

Como exemplo podemos citar a proteção de terceiros em relação ao acervo patrimonial que estiver na posse daquele que pretende contrair novas núpcias.

Temos a proteção trazida aos maiores de 70 anos, por entender a lei ser injusto o beneficiamento das pessoas que tenham acabado de contrair núpcias com aquela que já possui todo um acervo patrimonial constituído. Indiretamente, tal imposição também visa a proteção dos direitos dos herdeiros.

Cabe ainda a separação obrigatória de bens, nos casos em que a necessidade de suprimento judicial se fizer presente pelo fato de a parte nubente não ter alcançado, em regra, o direito de praticar todos os atos da vida civil, ou seja, a maioridade ou emancipação.

Nestas circunstâncias, a tenra idade, ou falta de discernimento suficiente para avaliar todas as implicações trazidas pelo casamento, demonstram a necessidade de proteção patrimonial destas pessoas, pelo menos até o momento em que adquiram plena capacidade para tal avaliação, não havendo qualquer impedimento para que, futuramente, busquem a modificação do regime imposto.

A regra da incomunicabilidade total dos bens adquiridos neste regime deixou de ser absoluta com o advento da Súmula 377 do Supremo Tribunal Federal, a qual reproduz em seu texto que “no regime de separação legal de bens, comunicam-se os adquiridos na constância do casamento”, sendo esta a única exceção capaz de alcançar a comunicabilidade dos bens adquiridos durante a constância do casamento celebrado pelo regime da separação obrigatória de bens.

Assim, mesmo diante deste cenário impositivo, a Súmula 377 do STF encontra seu espaço, pois é plenamente aplicável permitindo a comunicabilidade dos bens adquiridos pelos cônjuges durante a sociedade conjugal, situação que, de certa forma, minimiza a rigidez trazida pelo regime imposto.

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