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O escritório Küster Machado tem um desk na China, com o objetivo de auxiliar e proporcionar oportunidade de negócios entre empresas chinesas e brasileiras. Para conhecer um pouco mais sobre essa proposta e as novidades desse projeto, conversamos com Filipe Küster, diretor de projetos e de Relações Internacionais do escritório. Confira!

News KM: Em 2017 vocês iniciaram uma parceria jurídico comercial com a China. Como você avalia a parceria hoje?

Filipe Küster: Começamos em 2017 com o objetivo de aproximar e entender o mercado chinês por meio de uma parceria com escritório de advocacia. Para nós, faz sentido investir numa interface com o Jingsh Law Firm justamente porque queremos compartilhar do portfólio de clientes deles e identificar possíveis sinergias na área de estruturação de negócios no Brasil e na América do Sul, de uma maneira geral. O mesmo vale para o caminho inverso. Ao dispor de uma base técnica na China, deixamos claro para nossos clientes que estamos aptos a atendê-los em operações cross border com destino ao mercado chinês e Ásia, porque o Jingsh tem atuação global e pode nos fornecer soluções para tais desafios. A visão do escritório é que um projeto desta natureza leva tempo para construir uma relação que seja vantajosa financeiramente para ambas as partes, mas saímos na frente ao gerar relacionamento diretamente com advogados chineses e promover uma plataforma de trocas de negócio. O relacionamento com os chineses demanda tempo, e estamos percorrendo essa estrada para que no futuro próximo tenhamos mais clareza de como a cooperação entre escritórios pode ser de fato um ativo para ambas as partes.

 

News KM: Como a criação do desk na China pode ajudar criando pontos de acesso para negócios e captação de oportunidades para os clientes do KM?

Filipe Küster: Primeiro porque isso deixa claro para o mercado daqui que estamos lá e que temos uma base de apoio real. Isso gera uma segurança para investidores que estão indo para a China ou já têm negócios no país, gera um sentimento de confiança porque a interface Brasil e China é complicada de entender. Depois, ter essa interface direta com o mercado chinês, mesmo que à distância, possibilita ao escritório ter acesso a oportunidades globais para prestar serviço onde o Jingsh não pode estar, representando os clientes deles tanto na América Latina como em outros locais onde tenhamos rede para fornecer auxílio. O mercado da advocacia está se globalizando e, por isso, entendemos que criar pontos de acesso é um caminho inevitável para quem quer acessar novas oportunidades fora do país de origem.

 

News KM: A China possui o maior volume de produção e exportação da atualidade. Como isso pode proporcionar um bom desafio de negócios para as empresas brasileiras?

Filipe Küster: A China é o maior parceiro comercial do Brasil e essa posição de simbiose econômica é de fundamental importância para nós e para eles. No ritmo em que a economia de lá cresce, o apoio do Brasil em setores como as commodities continua sendo fundamental. Então temos um binômio em que é bom comprar e vender para a China, pela visão brasileira, e igualmente é bom comprar e vendar para o Brasil, pela posição chinesa. Existem inúmeras oportunidades que podem ser financiadas com capital chinês, e isso se demonstra, por exemplo, no número de operações de M&A e no contingente de capital de IED no Brasil, que está no top 5 do mundo, com capital chinês inundando o Brasil. Com o novo governo a situação se torna mais urgente ainda porque existe uma inclinação pró-Estados Unidos, então precisamos acompanhar como será o apetite chinês em fazer negócios com o Brasil a partir de agora.

 

News KM: Na sua opinião, o escritório está capacitado para representar os interesses chineses no Brasil?

Filipe Küster: Sim, tanto via interface com o escritório de lá, para fazer essa interlocução jurídica, como na estruturação de negócios de estrangeiros no Brasil, que já é uma expertise nossa.

 

News KM: Neste ano, quais serão os principais desafios dessa parceria?

Filipe Küster: Como parte do nosso cronograma, irei a China novamente para intensificar as trocas de informações e comparecer ao nosso espaço do novo escritório do Jingsh, que acomodará todos os escritórios parceiros da rede, num prédio em Shanghai. O objetivo da viagem será mais do que estreitar laços com o escritório chinês, mas ter acesso aos demais escritórios parceiros que podem ter sinergias conosco e com o mercado brasileiro.